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from Antologia Brasileira, Coletânea em Prosa e Verso de Escritores Nacionais, Volume 1 by Various; Eugenio Werneck — automated transcript, may contain recognition errors.

Seção 20 de Antologia Brasileira, volume 1. Esta é uma gravação LibreVox. Todas as gravações LibreVox estão em domínio público. Para mais informações ou para ser um voluntário, por favor, visite LibreVox.org.

Antologia Brasileira, coletando em prós e verso de escritores nacionais, volume 1, organizada por Eugênio Vernecke. O Caboclo do Amazonas, de Inglês de Souza. Inglês de Souza, Pará, 1853.

O doutor Herculano Marcos Inglês de Souza, formado em direito, advogado, professor de direito, é um escritor feito e um romancista de real mérito, não só pela verdade dos quadros e das cenas que pinta, como ainda pela naturalidade do seu estilo simples,

fácil e espontâneo, mas terço, sóbrio, mais seguro e corretíssimo. Suas obras literárias e jurídicas são, entre outras, o missionário, romance contos amazônicos, títulos ao portador, o cacaolista,

romance história de um pescador e etc. Presidiu no império nas províncias de Sergipe e Espírito Santo e tem escrito e redigido vários jornais e revistas. É assíduo colaborador da revista brasileira de José Veríssimo. Inglês de Souza pertence à Academia Brasileira de Letras

e ao Instituto dos Advogados. O Caboclo do Amazonas. É naturalmente melancólica a gente da beira do rio. Face a face toda a vida com a natureza grandiosa e solene, mas monótona e triste do Amazonas,

isolada e distante da agitação social, concentra-se a alma num apático recolhimento, que se traduz externamente pela tristeza do semblante e pela gravidade do gesto. O Caboclo não ri, sorria apenas,

e a sua natureza contemplativa revela-se no olhar fixo e vago em que se lêem os divaninhos íntimos, nascidos da sujeição da inteligência ao mundo objetivo e dele a suburbada. Os seus pensamentos não se manifestam em palavras,

por lhes faltar a esses pobres tapuias, a expressão comunicativa atrofiada pelo silêncio forçado da solidão. À vez de ter encontrado, beirando o rio, em viagem pelos sítios, o dono da casa sentado no terreiro, a olhar fixamente para as águas da correnteza,

para um bentivíque que canta na laranjeira, para as nuvens brancas do céu, levando horas e horas, esquecido de tudo, imóvel e mudo, numa espécie de êxtase. Em que pensará o pobre tapuia?

No encanto misterioso da mãe d'água, cuja sedutora voz lhe parece estar ouvindo no murmúrio da corrente, no corrupir a que vagabundeia nas matas, fatal e esquivo, com o olhar ardente cheio de promessas e de ameaças, no diabólico saciça perê,

cuja subiu sardônico dá ao corpo calafreo das sesões? Em que pensa? Na vida? E talvez um sonho? Talvez nada?

É uma contemplação pura. Dessa melancolia, contínua, Dão mostra principalmente as mulheres, por causa da vida que levam. Os homens sempre andam,

vem uma, outra vez gente e coisas novas. As mulheres passam toda a vida no sítio, num mais completo isolamento. Assim, a tapuia rosa, que de nada se podia queixar, com a vida material segura,

suprema ambição do caboclo, foi sempre dada às tristezas. A fronte alta e calma, os olhos pequenos e negros, e a boca séria,

tinham uma expressão de melancolia que impressionava a primeira vista. Teria a natureza estampado naquele rosto, o pressentimento de futuras desgraças, ou a mesquiez da alma humana, ante a magistral do rio e da floresta,

a predispunha a não oferecer resistência aos embates da adversidade. Era saudada do esposo morto, ou receio vago dos fracos diante dos arcanos do futuro? Fim da Seção 20,

da Antologia Brasileira Coletânea em Prós e Verso de Escritores Nacionais, volume 1, organizada por Eugênio Vernecke e gravada por Ethel Bous.

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